A 17 de Maio, Évora celebrou o Dia Mundial da Pastelaria
Há cidades onde a história também se conta à mesa. Évora, profundamente ligada à tradição conventual e ao património gastronómico alentejano, recebeu, no passado dia 17 de maio, uma celebração dedicada à pastelaria portuguesa, aos seus profissionais e aos saberes que atravessam gerações.
A primeira edição de «Évora Doces na Praça» transformou a Praça 1.º de Maio num ponto de encontro entre tradição, conhecimento e comunidade. Realizada no âmbito das comemorações do Dia Mundial da Pastelaria, a iniciativa foi promovida pela Plataforma Nacional da Pastelaria da AHRESP, em parceria com a União das Freguesias do Centro Histórico de Évora, reunindo profissionais do setor, produtores, entidades, parceiros e público em torno de um património que é, simultaneamente, cultural, económico e afetivo.
Foi com uma frase simples e carregada de significado que Carlos Moura, presidente da AHRESP, sintetizou a importância do setor:
"Pastelaria é vida".

Porque a pastelaria não se resume ao bolo que chega à mesa ou à montra que diariamente recebe os clientes. Por detrás de cada receita existem profissionais, empresas, famílias, matérias-primas, técnicas e conhecimentos transmitidos ao longo de gerações. Existem economias locais, territórios e uma identidade gastronómica que constitui também um importante cartão de visita de Portugal.
A pastelaria de fabrico próprio assume, neste contexto, uma dimensão que ultrapassa a atividade comercial. É memória, património e expressão cultural. Num tempo marcado pela transformação dos hábitos de consumo e pela crescente uniformização da oferta, preservar os saberes tradicionais sem fechar a porta à inovação é um dos grandes desafios do setor.

Foi precisamente esse diálogo entre passado, presente e futuro que esteve no centro de «Évora Doces na Praça.
Ao longo do dia, a Praça 1.º de Maio recebeu centenas de visitantes, que puderam descobrir diferentes especialidades e conhecer os profissionais que diariamente mantêm viva a arte da pastelaria.
As bancas deram corpo a uma mostra onde produtos emblemáticos como as Queijadas de Évora, as Popias e os Folhados Alentejanos conviveram com outras expressões da pastelaria, num encontro marcado pela diversidade e pela partilha.
Mas o evento não se limitou à degustação e à venda. Os showcookings aproximaram o público das técnicas, dos ingredientes e das histórias por detrás das receitas, enquanto os momentos de debate abriram espaço à reflexão sobre alguns dos desafios atuais da pastelaria em Portugal.
Porque valorizar a pastelaria implica também falar do seu futuro: da transmissão de conhecimento, da qualificação dos profissionais, da evolução dos hábitos de consumo, da relação entre saúde e prazer e da capacidade de inovar sem perder a identidade.
Quando a pastelaria encontra a cultura
A celebração ganhou ainda uma dimensão profundamente ligada ao território através da música e da cultura alentejana.
A Banda Filarmónica Liberalitas Julia trouxe à praça a força da tradição musical, enquanto os Cantares de Évora deram voz a um dos momentos mais marcantes do programa.
Quando o cante alentejano ecoou no coração do centro histórico, a celebração ganhou um significado mais amplo. Já não se tratava apenas de pastelaria. Tratava-se de território, memória, comunidade e pertença.
Essa ligação não é acidental. A gastronomia e a cultura popular partilham uma característica essencial: ambas sobrevivem porque são transmitidas. Uma receita, tal como uma canção, mantém-se viva quando alguém a aprende, a pratica e decide passá-la à geração seguinte.
A primeira edição de «Évora Doces na Praça» representou também uma das primeiras grandes iniciativas públicas da Plataforma Nacional da Pastelaria, projeto promovido pela AHRESP com a missão de preservar, partilhar e promover a pastelaria em Portugal.
A realização do evento demonstrou a capacidade de reunir profissionais, instituições, empresas e comunidade em torno de um objetivo comum: reconhecer a pastelaria como parte integrante do património gastronómico e cultural português e dar maior visibilidade a quem diariamente mantém vivos os seus sabores e saberes.
Com o envolvimento de diferentes entidades e parceiros, entre os quais o Turismo do Alentejo e Ribatejo, a Nestlé Professional, a Sogenave e a Sumol Compal, a iniciativa mostrou também a importância da cooperação para construir um setor mais unido, mais valorizado e mais preparado para enfrentar os desafios do futuro.
Évora foi o ponto de encontro desta primeira celebração. Mas a história da pastelaria portuguesa é muito maior do que uma cidade, uma região ou uma receita. Vive em todo o país, nos conventos e nas pastelarias, nos cadernos de receitas guardados pelas famílias, nas mãos dos mestres e na criatividade das novas gerações.
No dia 17 de maio, a Praça 1.º de Maio lembrou-nos precisamente disso: cada doce pode contar uma história, cada receita transporta um saber e cada território guarda uma identidade que merece ser conhecida, preservada e valorizada. Porque, afinal, como se ouviu em Évora, pastelaria é vida.


